Fran Mestranda

Fran Mestranda
Assim experimentado, o amor é um desafio constante; não é um lugar de repouso, mas é mover-se, crescer, trabalhar juntamente; haja harmonia ou conflito, alegria ou tristeza. Eric Fromm em “A arte de amar”

 






Participar do grupo de Metodologias tem me feito repensar o que eu compreendo por "mundo academico". 


No grupo em que fazemos parte, a sensação que tenho é de não estar sozinha no barquinho academico. Ah, esse barco que me empurra ora nas piores tempestades marítimas ora para boas viagens! Quando olhamos para o lado e enxergamos que lá estão outras pessoas em outros barcos, temos mais força para enfrentar. 


Acredito, depois da experiencia desta pesquisa conjunta e também do estágio o qual também fiz em coolaboração que para além daquele velho cliché que diz que" duas cabeças juntas pensam melhor", são os sujeitos em sua integridade (corpo, mente, emoção, espírito) e inconclusibilidade como aponta Freire, que, juntos, pensam, sentem, agem e transformam.

 

    Minha narrativa visual tenta captar isso. Resolvi representar o conhecimento como uma espiral primeiro porque gosto muito deste símbolo, acho que ele capta muito bem a natureza ( humana ou não), pois tudo que existe é cíclico, e mesmo a morte contribui para a continuidade da vida. Além disso, acho que é um símbolo que capta bem o inconsciente humano que é escorregadio, profundo, tem muitas camadas, assim como nossas emoções. Por isso mesmo são tão ricas!

Acredito que aprender, conhecer, viver são processos "espiralísticos" por assim dizer, no sentido de que são movimentos cíclicos, constantes e inacabados. Isso, sem dúvidas representa um desafio. Por isso mesmo, os bonequinhos simbolizam eu e as meninas do grupo e estamos SOB e COM a espiral, nossa união fortalece o caminhar nesse terreno movediço, deixa o processo mais fluido. Acredito que aprender é sempre um processo que expande a curiosidade mas também assusta. Neste processo, podemos nos questionar: " realmente sei? será que eu compreendi mesmo? como consigo entender isso? e estes questionamentos perpassam todo o processo. Quando percebemos, no entanto, que longe de estarmos nesta angústia solitariamente, estamos nela em conjunto, ganhamos um pouco mais de confiança. Não saber também é bonito, é preciso muita humildade para acolhermos o nosso " não saber". E é preciso muitas mãos para a construção do conhecimento, que não é solitário mas solidário.

A espiral, além disso, simboliza para mim o tempo de cada um. Conforme relatei anteriormente em nosso grupo de Metodologia, durante o processo da pesquisa senti que o tempo foi bastante curto, sinto essa angústia em relação a pesquisa. Existe o tempo do nosso corpo, das nossas emoções, do nosso fluir e existe o tempo do mundo. O próprio relógio me causa ansiedade as vezes, olhar para ele e perceber que ainda não consegui cumprir com o checklist que me prometi mais cedo. O texto trava, a gente tenta escrever e tudo se perde. Para mim, o ser humano sempre vai sentir o tempo em espiral, mesmo imerso nessa sociedade que nos diz que o tempo é uma linha reta. Não é. Basta um dia acordarmos com um aperto no peito, ou a ansiedade que bate no meio da tarde. Basta aquela vontade de fugir e procrastinar que no fundo é um grito de socorro. Tem horas que a gente quer produzir e o corpo quer simplesmente existir no seu próprio tempo, espiralístico, fluido, só quer sentir as coisas uma de cada vez. Por isso mesmo acredito que a coolaboração é fundamental e defendo isso mais uma vez. Principalmente no sentido da escuta, de se entender de novo um sujeito no e com o mundo e perceber que os outros também sofrem, também carregam suas lutas. A angústia, o aperto no peito, o medo de não ser suficiente que eu sinto não são só meus. Ao ouvir as meninas desabafarem eu também me reconheço ali, já passei por aquilo, é um abraço. Não estou sozinha nessa espiral. 









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