Fran Mestranda

Fran Mestranda
Assim experimentado, o amor é um desafio constante; não é um lugar de repouso, mas é mover-se, crescer, trabalhar juntamente; haja harmonia ou conflito, alegria ou tristeza. Eric Fromm em “A arte de amar”

LEITURA E ANOTAÇÕES- PROJETO DOC 2

 





IDENTIDADE NARRATIVA- RICOUER


Só quando nos tornamos autores da nossa história é que transmudamos os acasos em destino.



Como respondemos quando nos perguntam quem é você?

isso não diz quem somos e como somos 


IDENTIDADE NARRATIVA- para compreendermos quem somos precisamos contar a nossa história


você é uma história que está sendo contada.


toda narrativa precisa ter sentido


tudo que acontece nela explica, fala, ajuda compreender



Assumir nossa condição de narradores e de autores da nossa história. 



Ainda que seja bastante premente, a precariedade do ofício docente, como veremos, não serestringea essa dimensão material


Pergunto:  quais  figuras,  símbolos, histórias, lembranças  temos partilhado  e  transmitido  acerca  dos  nossos  professores  e  professoras?

Como desenvolverei nas seções que se seguem, a precariedade simbólica parece deflagrar um empobrecimento das narrativas e das representações que cultivamos e transmitimos sobre a docência, bem como sobre a escolae a experiência escolarde modo mais amplo.

Se propomos a ocorrência de um progressivoempobrecimento das narrativas, símbolosepersonagenssobre a docência e a experiência escolarem nosso imaginário social, parece-me importante refletirmos acercadaquilo que esse processo deixaria atrás de si. Um vazio não permanece como tal por tempo o bastante para tornar-se parte do mundo. Essa ausência parece darlugar a uma outra forma de operação integradoradas vivências e experiências de um sujeito que poderíamosnomear comoumasentença: uma formulação  concordante,  unívoca,  de  significação  cristalizada,  fabricadora  de identificações. Diferentemente da narrativa, cuja função nos permite o tecer e re-tecer das experiências deuma vida, asentença opera como se conhecêssemos de antemão não apenas os episódios intermediários que a compõemeo modo como estão encadeados, mas também –e sobretudo –a sua última págin


Uma vida, propõe Ricœur,é a históriadessa vida, em busca de narração.E essa narração, como veremos,não pode ser feita de forma isolada, separada das muitas histórias contadas e recontadas por outros sujeitos, bem como das grandes narrativas que emanam do imaginário social; não há narrativa arrancada do tecido inter-narrativo(Ricœur, 2005)que nos constitui enquanto humanidade, enquanto seres que vivem junto aos outros



ser humano, assevera Ricœur(2010b),“é um ser que se compreende interpretando-se, e o modo com base no qual ele se  interpreta  é  o  modo  narrativo” (p.  220). O  que  ocorre,  portanto, sea  respeitode determinado  grupo,  povo  ou,  no  caso  específico,  de  um  ofício,sobram  sentençasunívocas,masfaltam  noimaginário  socialnarrativas,  símbolos, heróis,  personagensemblemáticase mestres,cuja equivocidade simbólica torna possível aos sujeitos neles se reconhecerem e, assim, narrarem sobre si uma história? Examinaremos essas questões nas seções que se seguem

 

A partir de Ricœur, não se faz possível pensarmoso sujeito, uma enunciaçãoou a narrativa de uma vidade forma isolada: há, no mundo humano, um tecido inter-narrativo (Ricœur, 2005). A história de cada um está sempre emaranhada na história dos outros: somos, cada um de nós, um segmento da história dos outros




 Na esteira dessa reflexão, parece-mepossível propor ainda que apenas seríamos capazesde responder aperguntas como“quem sou eu?”ou“o que espero para a minha vida epara o meu ofício?”,se formos também capazesde responder àpergunta:  “que  história  ou  histórias estão  emaranhadas  à  minha?”.Para habitar o mundo e dar-lhe um sentido,propõe Jeanne Marie Gagnebin (2024, s. p.),“o sujeitodeveousar inventar uma história e ousar contá-la. Suahistória, mas também aquela de todos os homens até ele, eaquelas que contamos a nós mesmos e aos outros”

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