LEITURA E ANOTAÇÕES- PROJETO DOC 2
IDENTIDADE NARRATIVA- RICOUER
Só quando nos tornamos autores da nossa história é que transmudamos os acasos em destino.
Como respondemos quando nos perguntam quem é você?
isso não diz quem somos e como somos
IDENTIDADE NARRATIVA- para compreendermos quem somos precisamos contar a nossa história
você é uma história que está sendo contada.
toda narrativa precisa ter sentido
tudo que acontece nela explica, fala, ajuda compreender
Assumir nossa condição de narradores e de autores da nossa história.
Ainda que seja bastante premente, a precariedade do ofício docente, como veremos, não serestringea essa dimensão material
Pergunto: quais figuras, símbolos, histórias, lembranças temos partilhado e transmitido acerca dos nossos professores e professoras?
Como desenvolverei nas seções que se seguem, a precariedade simbólica parece deflagrar um empobrecimento das narrativas e das representações que cultivamos e transmitimos sobre a docência, bem como sobre a escolae a experiência escolarde modo mais amplo.
Se propomos a ocorrência de um progressivoempobrecimento das narrativas, símbolosepersonagenssobre a docência e a experiência escolarem nosso imaginário social, parece-me importante refletirmos acercadaquilo que esse processo deixaria atrás de si. Um vazio não permanece como tal por tempo o bastante para tornar-se parte do mundo. Essa ausência parece darlugar a uma outra forma de operação integradoradas vivências e experiências de um sujeito que poderíamosnomear comoumasentença: uma formulação concordante, unívoca, de significação cristalizada, fabricadora de identificações. Diferentemente da narrativa, cuja função nos permite o tecer e re-tecer das experiências deuma vida, asentença opera como se conhecêssemos de antemão não apenas os episódios intermediários que a compõemeo modo como estão encadeados, mas também –e sobretudo –a sua última págin
Uma vida, propõe Ricœur,é a históriadessa vida, em busca de narração.E essa narração, como veremos,não pode ser feita de forma isolada, separada das muitas histórias contadas e recontadas por outros sujeitos, bem como das grandes narrativas que emanam do imaginário social; não há narrativa arrancada do tecido inter-narrativo(Ricœur, 2005)que nos constitui enquanto humanidade, enquanto seres que vivem junto aos outros
ser humano, assevera Ricœur(2010b),“é um ser que se compreende interpretando-se, e o modo com base no qual ele se interpreta é o modo narrativo” (p. 220). O que ocorre, portanto, sea respeitode determinado grupo, povo ou, no caso específico, de um ofício,sobram sentençasunívocas,masfaltam noimaginário socialnarrativas, símbolos, heróis, personagensemblemáticase mestres,cuja equivocidade simbólica torna possível aos sujeitos neles se reconhecerem e, assim, narrarem sobre si uma história? Examinaremos essas questões nas seções que se seguem
A partir de Ricœur, não se faz possível pensarmoso sujeito, uma enunciaçãoou a narrativa de uma vidade forma isolada: há, no mundo humano, um tecido inter-narrativo (Ricœur, 2005). A história de cada um está sempre emaranhada na história dos outros: somos, cada um de nós, um segmento da história dos outros
Na esteira dessa reflexão, parece-mepossível propor ainda que apenas seríamos capazesde responder aperguntas como“quem sou eu?”ou“o que espero para a minha vida epara o meu ofício?”,se formos também capazesde responder àpergunta: “que história ou histórias estão emaranhadas à minha?”.Para habitar o mundo e dar-lhe um sentido,propõe Jeanne Marie Gagnebin (2024, s. p.),“o sujeitodeveousar inventar uma história e ousar contá-la. Suahistória, mas também aquela de todos os homens até ele, eaquelas que contamos a nós mesmos e aos outros”
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